Desigualdade e o papel do turismo (Blog Action Day 2014)

Pirâmide sócio-econômica brasileira

Pirâmide sócio-econômica brasileira

Uma consequência direta do capitalismo é a desigualdade social. Para poucos serem ricos, muitos precisam “bancar”, porque o dinheiro não nasce em árvore, não é mesmo? Por isso, quanto maior a desigualdade social em um local (nosso país, por exemplo), mais larga será a base da pirâmide sócio-econômica, e mais famílias estarão em classes sociais mais baixas.

O que o turismo tem a ver com isso?

O setor do turismo movimenta bilhões todo ano, e contribui para a produção do setor de serviços. É um setor com enormes potenciais de geração de emprego e renda, pois exige relativamente baixos requisitos de capital e qualificação, proporcionando participação de trabalhadores por conta própria e podendo ter papel na redução da pobreza e desigualdade (fonte Revista USP).

O turismo pode ajudar ou piorar a desigualdade local.

Muitas vezes o turismo pode excluir a população nativa da renda e dos benefícios advindos da atividade, ou até deslocar a população local para fora das áreas turísticas. Isso acontece quando não é usada mão-de-obra local e capacitação da comunidade, e opta-se por exigir pessoal já capacitado que acaba vindo de outras regiões.

Além disso, a cultura e o conhecimento tradicional são partes essenciais das populações que habitam os destinos turísticos. Pode haver perda e desvalorização desse patrimônio imaterial, através da introdução e contato com novas culturas, quando, por exemplo, a formação de mão-de-obra para o turismo é realizada sem respeito a cultura tradicional local. As comunidades, culturas e o meio ambiente local, devem ser as grandes beneficiárias e não as vítimas do desenvolvimento do turismo na região.

PGM no FavelaTour do Museu de Favela Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, criado, organizado e guiado por moradores locais.

PGM no FavelaTour do Museu de Favela Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, criado, organizado e guiado por moradores locais.

Turismo em favelas

É cada vez mais comum a prática do turismo em locais extremamente pobres, como as favelas cariocas, guetos sul-africanos, ou países como a Índia. O turista é atraído pela curiosidade de ver um lado da sociedade que ele desconhece e ter contato com experiências tão distintas das dele. Trata-se de um reflexo de um mundo extremamente desigual. Mas é uma atividade super válida, desde que os atores sociais daquele espaço sejam beneficiados e não apenas expostos. E, principalmente, se o turista, a partir de sua observação, buscar uma maneira efetiva de ajudar a mudar a realidade dos que ali vivem.

Qual o papel do turista? Como nós, turistas, podemos ajudar?

  • Prefira guias/condutores, serviços e produtos locais, o que viabiliza o desenvolvimento econômico e distribuição de renda, dando mais oportunidades para a comunidade local;
  • Se quiser ajudar populações mais carentes, não dê esmolas. Procure uma associação ou líderes locais e pergunte como pode ajudar. Prefira investir em projetos com foco em educação e capacitação da comunidade;
  • Proponha-se a pagar um pouco mais, se isso significar salários justos para quem vive na região, ou contribuir com recursos que possam ser revertidos para a proteção de áreas naturais;
  • Trate os moradores da região com cortesia e respeito;
  • Conheça os espaços produzidos pela cultura local, e as manifestações que permitem conhecer os costumes e a história de um povo: procure os sítios arqueológicos e centros históricos, eventos como festas, festivais e celebrações religiosas locais. Faça silêncio nesses ambientes e respeite suas crenças. Tenha a sensibilidade de pedir para fotografar, filmar ou gravar e respeite se não puder;
  • Valorize a gastronomia típica regional: cada comunidade tem sua própria tradição culinária e isso faz parte de seu patrimônio cultural. Visite feiras e mercados tradicionais. Eu amo provar novos pratos e temperos!
  • Fuja dos artesanatos “made in China” (aqueles todos iguais e presentes em várias cidades), e procure artesanato e produtos realmente típicos. E pechinche com limite e respeito. Lembre-se de que, muito além do objeto, existe um “saber fazer”, que é o que você, no fundo, vai levar;
  • Denuncie quaisquer incidentes ou irregularidades que observar. Você é parte do processo de melhoria ambiental, social econômica do destino.blog_action_day

 

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